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MAZURCA PARA DOIS MORTOS

Autor(es)
CAMILO JOSÉ CELA

Editora
DIFEL

ISBNLínguaQuantidade
Desconhecido
Português
Um

Observações
Prémio Nobel da Literatura 1989
Prémio Príncipe das Asturias 1989
Prémio Cervantes 1995
O cego Gaudencio só tocou duas vezes a mazurca: Ma Petite Marianne: em Novembro de 1936, quando mataram Baldomero Afouto e em Janeiro de 1940, quando mataram Fabian Minguela. Depois nunca mais quis voltar a tocá-la. Eram os tempos turvos e vingativos da Guerra Civil em Espanha.
Mazurca para Dois Mortos constitui uma impressionante rememoração do ambiente quase mítico da guerra, da Galiza rural. Um retábulo de vidas dominadas pela violência, pelo sexo e pela superstição atávica.
Uma das melhores obras de um dos mais importantes escritores espanhóis contemporâneos, Mazurca para Dois Mortos alcançou em Espanha 18 edições em três anos e está traduzido em várias línguas europeias.
É um genuíno tour de force quanto ao tratamento da forma narrativa. Estamos perante a obra de um dos mais altos expoentes da literatura espanhola, cujo perfeito domínio da ambiguidade e cuja capacidade para a criação de ambientes requintadamente insólitos só são superadas pelo manejo excepcional das formas literárias.

Cela é um escritor, e não apenas um romancista, mesmo quando está envolvido de corpo e alma no género romance, como é o caso de Mazurca para Dois Mortos: é que todos os modos de representação literários parecem confluir aqui de uma maneira habilíssima, sem rupturas. A sua prosa atinge uma plenitude barroca e um grau de complexidade sintáctica inigualáveis, residindo todavia o aspecto mais importante na capacidade de articular os mais inovadores processos, mesmo os do romance experimental: monólogo caótico, diálogos carregados de arbitrárias insinuações, coexistência de diversos pontos de vista, liberdade de pontuação...  
Há ainda em Cela e muito especialmente em Mazurca para Dois Mortos, uma intensa vontade realista, que releva de uma concepção da literatura enquanto expressão de feroz sinceridade pessoal. A irritação, o desprezo e a paixão aparecem inscritos no texto através de uma sequência ininterrupta de imagens poderosas, por vezes exorbitantes, que mostram como Cela encara com rara liberdade criativa todas as possibilidades expressivas da língua, sobretudo quando, na sua persistente inclinação para o grotesco, recria certas formas da gíria popular.

Ler Mazurca para Dois Mortos é contactar com um universo literário que revela uma imaginação tão poderosa que parece estar para lá da palavra.

Salvato Teles de Menezes

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Como novo
Lisboa
7,50
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