ALQUEIVE - Romance de um cavador. Saldo dos Comentários ao Livro/Vendedor: Neutro

Barata Dias
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ALQUEIVE.  por  Barata Dias - Romance de um cavador. Lisboa. 1947. 12,5x19 cm. 220-IV págs. Brochado -  25,00€.       Um dos diversos livros de Barata Dias censurados pelo regime de Salazar, como consta no Arquivo Nacional Torre do Tombo. Raro .
«Alqueive» foi publicado em 1947, com a legenda «Romance de um cavador», constituindo uma impressionante crítica social, intolerada na época por pintar, em tons sombrios, a vida dura no Portugal rural dos tempos do salazarismo.
Trata-se de um romance de escrita simples, desprovido de valor estilístico, aqui e além pincelado com vocábulos de raiz popular. Vale sobretudo pelo drama que encerra, e pela acção que corre sem parar, expondo em termos crus a vida dos assalariados rurais, que trabalham de sol a sol e mal ganham para a côdea.
O Toino é um pobre cavador que trabalha arduamente no sonho de um dia possuir um torrão. Ilusão longínqua para quem é sério, porque há que atender ao ensinamento de S. Mateus, cuja citação serve de epígrafe ao livro: «Ao que tem se lhe dará, e terá com abundância; ao que não tem, até o que tenha lhe será tirado».
Querendo juntar dinheiro para comprar uma porção de terra que ele mesmo desbravara, parte para Lisboa, onde arranjou emprego numa serração, sujeitando-se a um trabalho duro, que em poucas semanas lhe arruinará a saúde. De início procurou alimentar-se para manter as forças, embora o comer fosse frugal: «Meio-dia e o Toino foi almoçar à taberna. Felizmente que trouxera dinheiro para empatar na alimentação de uma semana, ou mais. Comeu metade de um pão e dois carapaus, e bebeu meio litro de vinho.»
Mas, ganhando pouco e precisando de juntar muito dinheiro, decidiu diminuir as despesas: «Se até ali o Toino comia pouco, para poupar, passou a diminuir a ração. Rebentaria, mas, naquele ano, havia de salvar-se. (…) Nunca mais comeu à frente de gente. Escondia-se por entre as pilhas de madeira e só se alimentava de pão.»
E a comer apenas um naco de pão e trabalhando duramente, o homem «que amansara uma terra brava» adoeceu e regressou à terra para junto da família, levando apenas a quantia suficiente para pagar «a dívida que a sua legítima ambição lhe ocasionara».
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JACINTO CATAU
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