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Editora
Observações
| "Quando se trata de sexo, as pessoas podem fingir quase tudo - interesse, surpresa, espanto, paixão, orgasmo. A única coisa que ninguém pode fingir é uma ereção, e isso põe os homens em uma posição delicada. Eles são o sexo grande e forte e, entretanto, seus temperamentais pênis podem deixá-los deprimidos."
Essa frase do livro de Maggie Paley dá conta do principal paradoxo em relação aos conteúdos, práticos e simbólicos, do próprio logotipo e apetrecho da masculinidade, o falo. Tomando o todo pela parte, pode-se supor que o gênero masculino sofra da mesma contradição entre força e fragilidade, presença e apatia, pulso e fadiga.
Objeto de rituais públicos na antiguidade, porém tratado com enorme discrição no Ocidente patriarcal, pelo menos na cultura oficial, o pênis nunca deixou de ser obsessão para muita gente, homens e mulheres, homo, hetero e bissexuais.
Toda uma cultura falocêntrica oculta, a ponta do iceberg que Freud descreveu em costumes como o de portar armas, fumar charutos, dirigir carros possantes e levantar arranha-céus, começou a emergir no fim do século passado, com a ampla polêmica sobre ocorrências como a decepação de John Wayne (que nome) Bobbitt, a felação de Bill Clinton pela estagiária da Casa Branca e a de Hugh Grant pela prostituta em Los Angeles.
É nesse universo que mergulhou Ms. Paley, uma insuspeita intelectual novaiorquina, autora de um romance (Bad Manners), de um pequeno volume de poesia (Elephant) e de uma peça sobre a dramaturga Edith Wharton (In One Door), além de inúmeros artigos e críticas literárias, com passagens como editora ou editora-colaboradora em publicações prestigiosas como The Paris Review, Life, Vogue e Elle.
Mais de um ano de trabalho consistente incluiu entrevistas (entre outros, com transexuais nos dois sentidos, michês ou simples curtidores/as de um pênis), leitura de materiais tão diversos quanto estudos acadêmicos e catálogos de sex shop, busca por sites e clubes como o dos pênis pequenos ou o dos pesquisadores (empíricos...) de técnicas de masturbação, visita a shows de striptease masculino e à cerimônia hindu do falo, ou ao urologista que supostamente é dono do pênis de Napoleão.
O livro que resultou é um híbrido desinibido entre jornalismo investigativo, crônica histórica, antropológica, fisiológica e cultural, e muita diversão e informação multifacetada, em tópicos como autofelação, acessórios e aditivos, mutilação ritual, o pênis no reino animal, as aventuras de Errol Flynn e Gary Cooper, a insegurança de F. Scott Fitzgerald quanto ao seu tamanho, a batalha do ex-Pantera Negra Eldridge Cleaver contra as calças castradoras e muito mais.
Nas palavras do colunista e escritor Dan Savage, "O Livro do Pênis é necessário para qualquer um que tem um pênis, precisa de um pênis, ou ama alguém que tem ou precisa de um pênis". Nas de Harry Eugene Baldwin, na Frontiers, "ao invés de pensar com nossos pênis, (...) nós machos somos convidados por este livro a pensar sobre eles". | |
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